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Sistema Cantareira em alerta reforça segurança hídrica

Reservatórios operam na Faixa 3 em setembro; interligação Jaguari-Atibainha e reúso industrial mostram caminhos para ampliar a resiliência hídrica

Reservatórios operam na Faixa 3 em setembro; interligação Jaguari-Atibainha e reúso industrial mostram caminhos para ampliar a resiliência hídrica

O Sistema Cantareira continua operando na Faixa 3 – Alerta durante o mês de setembro. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o sistema encerrou agosto com 32,99% de seu volume útil, abaixo dos 36,67% registrados em 31 de julho.

A permanência na faixa de alerta significa que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) está autorizada a retirar até 27 m³/s do Sistema Cantareira. Em condições de normalidade, esse limite pode chegar a 33 m³/s.

Mesmo após o início de setembro, os dados continuam mostrando um cenário que merece atenção. Em 4 de setembro, o volume útil armazenado no sistema era de 327,05 hm³, equivalente a 33,32%.

Para o setor industrial, a situação serve como mais um alerta sobre a importância de planejamento, eficiência e diversificação das fontes de abastecimento.

Jaguari-Atibainha e a busca por maior segurança hídrica

O Sistema Cantareira é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, conectados por túneis e canais. O sistema é responsável por uma parcela significativa do abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.

Uma das estruturas importantes para ampliar a segurança hídrica da região é a interligação Jaguari-Atibainha, que permite a transferência de água da bacia do rio Paraíba do Sul para o reservatório de Atibainha, integrante do Sistema Cantareira.

A obra foi concebida em um contexto de forte preocupação com a segurança hídrica após a crise de abastecimento enfrentada pelo estado de São Paulo em 2014 e 2015.

A conexão entre os reservatórios criou uma alternativa adicional para a gestão dos recursos hídricos, permitindo maior flexibilidade operacional em momentos de redução dos volumes armazenados no Cantareira.

Atualmente, a própria ANA prevê que, durante setembro, a SABESP possa utilizar, além dos 27 m³/s autorizados do Cantareira, eventual vazão transposta do reservatório da UHE Jaguari, respeitando o limite outorgado de 8,5 m³/s de vazão média diária e o limite máximo total de 33 m³/s previsto na regulamentação.

A interligação, portanto, não elimina os efeitos de períodos prolongados de estiagem, mas acrescenta uma importante ferramenta de gestão para aumentar a capacidade de resposta do sistema.

O que isso representa para a indústria?

A discussão sobre segurança hídrica não se limita ao abastecimento das cidades.

A água também é um insumo fundamental para diferentes processos industriais. Ela pode ser utilizada diretamente na produção ou em atividades como resfriamento de equipamentos, geração de energia, limpeza e outros processos industriais. A intensidade desse uso varia de acordo com o setor, o processo produtivo, a tecnologia empregada e o nível de gestão hídrica de cada empresa.

Um estudo da ANA sobre o uso da água na indústria de transformação mostra diferenças importantes entre os segmentos.

Entre os setores analisados estão:

  • Produtos alimentícios: 40,5% das retiradas e 55,9% do consumo;
  • Bebidas: 5,4% das retiradas e 3,0% do consumo;
  • Celulose: 13,4% das retiradas e 3,8% do consumo;
  • Produtos derivados de petróleo e biocombustíveis: 16,15% das retiradas e 25,5% do consumo;
  • Produtos químicos: 2,9% das retiradas e 2,0% do consumo;
  • Metalurgia: 5,4% das retiradas e 2,4% do consumo.

Os números fazem parte do estudo Água na Indústria: Uso e Coeficientes Técnicos, elaborado pela ANA para estimar a demanda hídrica da indústria de transformação brasileira. Portanto, não representam especificamente o estado de São Paulo.

Essa diferença entre retirada e consumo também ajuda a mostrar por que a gestão da água dentro das plantas industriais é uma questão estratégica.

Reúso como alternativa para aumentar a segurança hídrica

Uma das estratégias que já vem sendo utilizada pela indústria paulista é o reúso de água.

Um dos principais exemplos está no Grande ABC: o Aquapolo, empreendimento voltado à produção de água reciclada para uso industrial a partir de efluentes tratados.

Segundo informações da própria empresa, o Aquapolo produz água industrial a partir de efluentes secundários provenientes da ETE ABC, da SABESP. O processo utiliza tecnologias como ultrafiltração e osmose reversa, produzindo água com parâmetros adequados para diferentes aplicações industriais.

Atualmente, o empreendimento informa capacidade de produção de até 1.000 litros por segundo e abastece o Polo Petroquímico de Capuava e outras indústrias da região do ABC Paulista.

O exemplo mostra uma mudança importante na maneira de enxergar os recursos hídricos: o esgoto tratado deixa de ser apenas um efluente a ser descartado e passa a ser também uma fonte alternativa para determinadas aplicações industriais.

Para empresas que dependem de grandes volumes de água, essa diversificação pode representar uma camada adicional de segurança operacional.

Segurança hídrica passa pela indústria

A permanência do Sistema Cantareira na Faixa de Alerta mostra que a gestão dos recursos hídricos continua exigindo atenção, especialmente durante o período seco.

Para a indústria, a questão vai além de acompanhar o nível dos reservatórios.

Reduzir o consumo, melhorar a eficiência dos processos, monitorar a qualidade da água, aumentar a recirculação e avaliar fontes alternativas de abastecimento são estratégias que podem reduzir a dependência de fontes convencionais.

A interligação Jaguari-Atibainha representa uma solução de infraestrutura em escala regional. Já iniciativas como o Aquapolo mostram que, em escala industrial, o reúso pode transformar efluentes tratados em uma fonte complementar para os processos produtivos.

Em um cenário de maior pressão sobre os recursos hídricos, segurança hídrica passa a ser também uma questão de continuidade operacional, planejamento e competitividade para a indústria.

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